O maior obstáculo no desenvolvimento de técnicas reprodutivas na espécie canina consiste na
diferença na fisiologia reprodutiva da cadela comparada a de outras fêmeas de mamíferos
domésticos. O presente estudo teve como objetivo avaliar o efeito da adição de FSH em
diferentes concentrações e períodos no cultivo in vitro de folículos pré-antrais isolados
caninos. Folículos pré-antrais secundários foram isolados e destinados ao cultivo em meio α-
MEM suplementado em que foram comparados os seguintes tratamentos: CONTROLE
(somente meio de base); FSH100 (concentração fixa de 100 ng/ml de FSHrec durante todo de
cultivo) e FSH SEQUENCIAL (FSHSeq – adição de FSHrec de forma sequencial (100, 500 e
1000 ng/ml) nos dias 0, 6 e 12 do cultivo) o cultivo celular foi realizado a 39ºC e 5% de CO2
em ar, com troca de meio realizada a cada dois dias. Os parâmetros avaliados foram
viabilidade, formação de antro, diâmetro e taxa de crescimento folicular. Para verificar a
viabilidade folicular, foram utilizados os marcadores fluorescentes Calceína-AM (4 μM ) e
Etídio-Homodímero-1 (2 μM) para vivos e mortos, respectivamente. Os dados obtidos foram
submetidos à ANOVA seguida dos testes t de Student e Kruskal-Wallis para os parâmetros de
diâmetro folicular e taxa de crescimento, respectivamente. Os dados foram expressos em
média ± erro padrão da média (MD± SEM). Para os parâmetros viabilidade e formação de
antro utilizou-se o qui-quadrado (P<0,05). Todos os folículos submetidos à fluorescência
(100%, P<0.05) apresentaram-se corados em verde pela calceína-AM ao fim do cultivo (D18;
P<0.05). No tratamento FSHSeq, o diâmetro folicular foi significativamente superior a partir
do D12 (398,07±12,06) quando comparado ao grupo controle (343,11±8,61) (P<0,05).
Enquanto que no D18, no FSHSeq (439,80±14,08) apresentou-se significativamente superior
aos demais tratamentos (P<0,05). Com relação às taxas de crescimento folicular diária
(am/dia), estas foram significativamente superiores no tratamento FSHSeq (6,47±0,55)
quando comparada ao controle (3,67±0,32) e FSH100 (4,47±0,38). Para a formação de antro,
os tratamentos FSH100 e FSHSeq apresentaram-se significativamente superiores quando
comparados ao grupo CONTROLE no D12 de cultivo. Quando comparado os dias de
tratamento, no D112 o FSHSeq apresentou taxa de extrusão significativamente superior
quando comparado ao CONTROLE (P<0.05). Diante destes resultados, pode-se concluir que
a adição de FSH de forma sequencial ao meio de cultivo mantém a sobrevivência de folículos
pré-antrais isolados caninos.
Palavras-chave: Canino, folículo pré-antral, cultivo, FSH