O desenvolvimento da linguagem oral no contexto da sociedade patriarcal em uma turma de Infantil II de um Centro de Educação Infantil público na cidade de Fortaleza – CE: um estudo crítico-ilustrado
A presente pesquisa teve como objeto de estudo o desenvolvimento da linguagem oral de crianças de dois a três anos na Educação Infantil, compreendido a partir das mediações sociais e institucionais que o atravessam em uma sociedade historicamente marcada por relações patriarcais e capitalistas. O estudo foi orientado pelo seguinte questionamento: de que modo as mediações sociais e institucionais, no contexto da Educação Infantil, incidem sobre o desenvolvimento da linguagem oral na primeira infância, contribuindo para a reprodução ou o tensionamento das relações patriarcais? O objetivo geral consistiu em analisar o processo de desenvolvimento da linguagem oral a partir de observações realizadas em uma turma de Educação Infantil II de um Centro de Educação Infantil público na cidade de Fortaleza–CE, considerando as mediações sociais e institucionais presentes no cotidiano educativo. Como objetivos específicos, buscou-se: examinar o desenvolvimento da linguagem oral na primeira infância à luz da psicologia histórico-cultural; analisar como as relações sociais historicamente patriarcais incidem sobre esse desenvolvimento; apreender o processo histórico de constituição e reprodução dos estereótipos patriarcais presentes nas mediações sociais e educativas; e investigar a linguagem oral das crianças por meio da observação de suas interações e práticas cotidianas nos diferentes momentos vivenciados no espaço da Educação Infantil. A pesquisa fundamenta-se no materialismo histórico-dialético, com contribuições de Vigotski (2000; 2006), Leontiev (1978) e Saffioti (2013; 2015). Os procedimentos de produção dos dados incluíram registros em diário de campo, gravações em vídeo e fotografias, entrevistas semiestruturadas e aplicação de questionários junto às professoras, assistente de sala e coordenadora pedagógica. Os resultados evidenciaram tensões entre as necessidades do desenvolvimento infantil, e a organização da rotina institucional, marcada pela rigidez dos tempos e pela centralidade do cuidado em detrimento da brincadeira e da atividade objetal-manipulatória, atividade dominante nesse período. Observou-se que as crianças não estabelecem distinções de gênero no uso dos brinquedos, compartilhando objetos de forma espontânea, o que reafirma o caráter histórico e socialmente construído das normas patriarcais. As análises permitem afirmar que o patriarcado não nasce com a criança, mas se inscreve como prática social concreta, mediada pelas relações sociais historicamente produzidas, de modo que a Educação Infantil se constitui como espaço contraditório, capaz tanto de reproduzir quanto de tensionar as relações patriarcais e capitalistas na formação da consciência desde a primeira infância.
Abstract:
La presente investigación tuvo como objeto de estudio el desarrollo del lenguaje oral de niños y niñas de dos a tres años en la Educación Infantil, comprendido a partir de las mediaciones sociales e institucionales que lo atraviesan en una sociedad históricamente marcada por relaciones patriarcales y capitalistas. El estudio fue orientado por la siguiente pregunta: ¿de qué modo las mediaciones sociales e institucionales, en el contexto de la Educación Infantil, inciden sobre el desarrollo del lenguaje oral en la primera infancia, contribuyendo a la reproducción o al tensionamiento de las relaciones patriarcales? El objetivo general consistió en analizar el proceso de desarrollo del lenguaje oral a partir de observaciones realizadas en un grupo de Educación Infantil II de un Centro de Educación Infantil público en la ciudad de Fortaleza–CE, considerando las mediaciones sociales e institucionales presentes en la cotidianidad educativa. Como objetivos específicos, se buscó: examinar el desarrollo del lenguaje oral en la primera infancia a la luz de la psicología histórico-cultural; analizar cómo las relaciones sociales históricamente patriarcales inciden sobre dicho desarrollo; aprehender el proceso histórico de constitución y reproducción de los estereotipos patriarcales presentes en las mediaciones sociales y educativas; e investigar el lenguaje oral de los niños y niñas mediante la observación de sus interacciones y prácticas cotidianas en los diferentes momentos vivenciados en el espacio de la Educación Infantil. La investigación se fundamenta en el materialismo histórico-dialéctico, con aportes de Vigotski (2000; 2006), Leontiev (1978) y Saffioti (2013; 2015). Los procedimientos de producción de datos incluyeron registros en diario de campo, grabaciones en video y fotografías, entrevistas semiestructuradas y aplicación de cuestionarios junto a las profesoras, asistente de aula y coordinadora pedagógica. Los resultados evidenciaron tensiones entre las necesidades del desarrollo infantil y la organización de la rutina institucional, marcada por la rigidez de los tiempos y por la centralidad del cuidado en detrimento del juego y de la actividad objetal-manipulatoria, actividad dominante en este período. Se observó que los niños y niñas no establecen distinciones de género en el uso de los juguetes, compartiendo objetos de forma espontánea, lo que reafirma el carácter histórico y socialmente construido de las normas patriarcales. Los análisis permiten afirmar que el patriarcado no nace con el niño o la niña, sino que se inscribe como práctica social concreta, mediada por relaciones sociales históricamente producidas, de modo que la Educación Infantil se constituye como un espacio contradictorio, capaz tanto de reproducir como de tensionar las relaciones patriarcales y capitalistas en la formación de la conciencia desde la primera infancia.
Tipo do Trabalho:
Tese
Referência:
Duarte, Helena Ferreira. O desenvolvimento da linguagem oral no contexto da sociedade patriarcal em uma turma de Infantil II de um Centro de Educação Infantil público na cidade de Fortaleza – CE: um estudo crítico-ilustrado. 2026. 156 f. Tese (Doutorado em 2026) - Universidade Estadual do Ceará, Fortaleza, 2026. Disponível em: Acesso em: 25 de outubro de 2026
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